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quarta-feira, 2 de novembro de 2022

A igreja evangélica pós bolsonarismo

 


Chegamos ao final as eleições presidenciais de 2022. O candidato Lula foi eleito de forma apertada. Enfim chegamos ao fim da era Bolsonaro na presidência do Brasil.  Não quero aqui fazer um julgamento do mandato do presidente nestes quatros anos, para isso, já existem vários especialistas escrevendo sobre a política no Brasil. Mas quero refletir um pouco como fica a imagem da igreja evangélica no Brasil após tudo que vimos principalmente nos últimos dois anos.

Gostaria de fazer uma diferença entre a igreja evangélica e a Igreja de Cristo. A primeira com “i” minúsculo é o termo que abrange todas as denominações ditas evangélicas, são instituições físicas de cunho religioso. A segunda, a Igreja de Cristo, é a Igreja invisível que não se limita a templos físicos, em resumo são todos os crentes em Jesus espalhados por toda a Terra. Existem muitos que participam de alguma igreja evangélica que são parte da Igreja de Cristo. Mas a Igreja de Cristo está acima da igreja evangélica, e talvez a falta dessa percepção levou muitos cristãos e suas igrejas a se venderem politicamente, abandonando o evangelho de Cristo e assumindo um discurso meramente humano.    

Ficou claro que nesse governo de Jair Messias Bolsonaro o envolvimento da igreja evangélica foi muito grande. Nem mesmo a Teologia da Libertação que alçou Lula ao poder no início dos anos 2000 foi tão intenso quanto o que os evangélicos fizeram com Bolsonaro.

Mas o que a igreja fez de tão ruim ao associar com Bolsonaro?  Em resumo foi a “idolatria”. Depositaram sua fé em um político, um pecado que muitos evangélicos acusam os católicos romanos de cometerem, foi o que mais se viu na igreja evangélica brasileira nos últimos anos. O pior não são membros de igrejas na sua individualidade como cidadão em decidir apoiar um político, foram várias igrejas de maneira oficial apoiar o presidente. Chegaram ao ponto durante o auge da pandemia do corona vírus negar a doença e a vacina e não foram poucos que associaram a vacina a “marca da besta”.

A associação entre “marca da besta” e vacina me leva a principal causa dessa idolatria política no meio evangélico, que é a má teologia. A má teologia torna o cristão suscetível a qualquer ladainha com um teor religioso. Basta o politico citar dois ou três versículos que o cristão com má teologia já cai na sedução, assim como Eva caiu na lábia da serpente.  

Talvez você esteja pensando que ninguém próximo a você chamou a vacina de marca da besta, mas provavelmente você conhece algum evangélico, ou viu pastores no púlpito falar algo como: “Cristão de verdade vota em Bolsonaro”, “Bolsonaro é ungido de Deus para governar o Brasil”. Provavelmente você viu um famoso líder evangélico no púlpito levar o presidente e ler um trecho do livro de Juízes, no qual cita um personagem chamado Jair que liderou por 22 anos ... parece bizarro, mas aconteceu e isso são só alguns exemplos.

O que foi muito evidente também foram as fakenews, mentiras promovidas por muitos para beneficiar uma narrativa política. Se você faz parte de algum grupo de WhatsApp provavelmente viu algum evangélico compartilhando fakenews, uma delas como disse acima, que a vacina era a marca da besta, ou perigosa.

Mas sendo sincero o que mais me incomodou sendo cristão nesse governo Bolsonaro, foi o presidente usar um versículo bíblico de maneira perversa. Ele citava João 8.32: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, como se a verdade fosse o que ele falava, ou se a verdade nesse texto fosse alguma verdade esclarecendo uma mentira, mas não é isso que o texto diz. O texto em seu contexto diz que a verdade é o evangelho, e mais pra frente em João 14.6 Jesus revela que essa verdade é Ele próprio. A verdade que liberta não é um discurso de um político, a verdade que liberta é Cristo.

Você como cristão não fica constrangido com isso? Eu fico e muito. Eu nunca senti e nunca sentirei vergonha do evangelho, mas eu tenho sentido muita vergonha dos evangélicos, no qual eu também sou, apesar de muitos não acharem presbiterianos evangélicos, nós os somos. E agora que citei uma igreja histórica como a minha, na qual muito se julga ter uma boa teologia, mas as igrejas históricas não ficaram isentas de tal mancha da idolatria bolsonarista. Muitos pastores e influenciadores reformados compraram a ideia de Bolsonaro homem de Deus e fora dele não existe opção para o cristão. Realmente muito triste tudo isso.

Então ter votado no Bolsonaro é errado? Não, claro que não. Bolsonaro assim como os demais são opções válidas dentro da democracia brasileira. Então não ter votado no Bolsonaro é errado, ou até mesmo pecado como muitos diziam e dizem? NÃO, claro que não, não existia apenas Bolsonaro no primeiro ou segundo turno.

Mas então o que é errado? A idolatria. A mentira. O terrorismo psicológico e religioso que diz que tal candidato é o certo e só nele teremos “salvação para o Brasil.” Isso é mais que errado, tal discurso é diabólico.

A eleição 2022 acabou, Lula ganhou. Boa parte da igreja evangélica está com medo. Medo principalmente porque o ídolo que eles criaram não podem os salvar. Esse é o preço da idolatria. Lula ganhou, e a igreja deve se arrepender e voltar a ser Igreja de Cristo que é assim que ela poderá ajudar a sociedade. Lula ganhou, e a igreja deve orar para que ele faça um bom governo assim como a bíblia orienta que oremos pelos governantes. E que possamos cobrar dele um bom governo.

Bolsonaro perdeu, e com ele a igreja evangélica perdeu. E é bom que os evangélicos sofram essa derrota, para que seus corações se voltem a Jesus e se tornem realmente Igreja de Cristo. Eu sei, eu sei que não foram todos os evangélicos que agiram assim, mas foi público e notório a postura de boa parte dos crentes idolatrarem Bolsonaro. Igrejas cantando temas de campanha do presidente em seus púlpitos. Está tudo registrado e não tem como negar. Também estão registrados os irmãos e pastores que tentaram se levantar contra essa idolatria serem acusados de “esquerdistas, comunistas e servos do Diabo”.

O bolsonarismo fez mais mal a igreja do que a teologia da prosperidade e do coaching juntas. Ou será o bolsonarismo filho dessas teologias? Na verdade, o bolsonarismo evangélico é fruto da má teologia.

E como sai a igreja evangélica pós governo Bolsonaro? Ela sai manchada e como chacota da sociedade. E infelizmente a Igreja de Cristo sofrerá pela generalização que a sociedade faz, mas a Igreja seguirá triunfante e declarando o reino de Deus e nada poderá impedir isso.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Natal

por Victor Marques

É resgatar a essência de ser fraternal

É lembrar o sentido de estar aqui

Entender que esta data

não se resume em consumir

 

Natal,

Tempo em que os corações se aquecem,

Entorpecem de tamanha alegria

A ternura dos abraços, entre amigos e família

Une novamente o que a rotina distancia

 

No natal, lembremos, porém,

Nem em todos os lares é noite feliz

Há mesas não postas, incompletas pelo luto, noutras, contendas infindáveis

Que separam as pessoas como um muro

No entanto, a esperança naquele que veio para salvar o mundo, para as contingências da existência, se assemelha para o coração a um verniz.

 

No Natal,

As cidades se enfeitam para receber o Noel

Muitos esquecem, porém, do menino

Que é o verbo e veio para mudar

o curso da história do mundo.

 

A alegria se irradia nas luzes,

nas árvores e nas festas,

o coração não se aguenta

de tamanha felicidade

Parece até que se apequena

De forma que a felicidade

nos preenche e transborda,

e ganha extensão no coração dos outros

 

Natal é diferente,

Não é magia

É o convite à reflexão

que se perde no dia a dia

A esperança se renova

em novo ciclo todo ano

Para o consolo das cabeças perdidas,

Das retinas fadigadas

Das pernas pesadas

E das almas desesperançadas

É o convite ao encontro

Minha alma agradece,

Meu espírito se entorpece do amor divino

Ah quem me dera fosse natal todo dia!!!!


quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

A política, um novo deus



O ano de 2021 começou como o de 2020 terminou. Parece que nada mudou, a não serem, os números do calendário. O Corona vírus ainda está a solta nos assolando. Mas, além disso, as discussões políticas ainda estão à flor da pele no mundo todo. No Brasil não é diferente.

Discutir políticas é algo saudável e necessário em uma sociedade em que os cidadãos querem o melhor no lugar aonde vivem. O cristão como um cidadão tem esse direito também. A diferença que sua esperança final não é na política, mas em Cristo. Infelizmente vemos muitos irmãos nossos discutindo e se digladiando, e não por causa da política em si, mas em algo pior, por causa de políticos. Agindo como verdadeiros idólatras. Isso acontece de todos os lados do espectro político. Defender uma linha de raciocínio, uma filosofia, ou até uma ideologia é até enriquecedor no debate público. Mas defender de maneira cega um político, que deveria ser tratado como o seu funcionário, mas se parece mais um deus ao qual você tem a obrigação de defender independente da realidade, além de ridículo é pecado.

Ao longo da história bíblica vemos algo parecido com isso. Deus prometeu no Éden que o fruto da semente da mulher esmagaria a cabeça da serpente. Quando mais pra frente na história a nação de Israel está formada e Deus escolhe Davi como rei do seu povo, e promete que dá linhagem de Davi o messias virá e terá seu trono eterno. Vemos muitos na história esperar a solução do homem vir em meio à política. Na plenitude dos tempos essa promessa é cumprida e Cristo Jesus começa a pregar sua mensagem, ali muitos esperavam uma revolução política. Muitos afirmam que Judas era um desses. Acredito que era mesmo, e seu fim nos mostra que ele estava completamente errado.

Os judeus esperavam um rei como Davi, que os libertasse da opressão romana e fizesse de Israel uma nação gloriosa como na época de Salomão. Infelizmente os olhos presos apenas neste mundo não permitiam que eles enxergassem o reino eterno de Deus que estava além do que os olhos judaicos da época podiam ver. O reino de Deus havia chegado a eles, mas de maneira plena seria feito no “amanhã”. O amanhã que estamos aguardando com o retorno triunfante de Cristo para reinarmos com Ele eternamente na Nova Jerusalém, uma Jerusalém sem políticos, mas com Cristo como seu Rei eterno e poderoso.

Cristo já reina. Deus sempre foi o Senhor sobre toda Terra e o Universo. O pecado tirou essa percepção do coração humano, mas a obra redentora de Jesus já resolveu isso. Cristo reina. Assim, vivemos num período que pode ser considerado como “já, mas ainda não”. O Reino JÁ chegou, mas AINDA NÃO está presente na sua plenitude, e irá acontecer depois da segunda vinda de Jesus. Independente do caos atual, Ele reina. Nossa esperança está na promessa que Jesus voltará e estaremos plenamente no seu reino.

A esperança do cristão atual não pode cair no erro dos judeus da época de Cristo, nossa esperança não está na política ou em políticos, mas sim no Reino Eterno de Jesus Cristo, que já é rei sobre todos e será de maneira plena no fim dos tempos.

Então esperar ações divinas de homens que cumprem cargos na política é tolice. Devemos orar para que os agentes do Estado cumpram a função que a eles é cabida, que é promover o bem e a justiça e punir os malfeitores. Esse é o ministério de Deus para os que se dizem políticos. A nós cabe cobrar desses agentes públicos que cumpram as suas funções e enquanto isso devemos promover o único reino justo e eterno, que é o reino de Deus.

Cristãos! Mais do que nunca, sejam cristãos!

quarta-feira, 10 de julho de 2019

O roteirista




Se tem uma coisa que eu amo fazer desde a mais tenra idade, é assistir filmes. Quando criança eu procurava apenas diversão. Se o filme me fizesse rir ou me empolgasse com cenas absurdas de ação, eu estava satisfeito. A medida que crescia os critérios ficara mais exigentes. Hoje além de boas atuações e um tema atraente, eu prezo por um bom roteiro. Creio que um bom roteiro define se um filme será bom. Boas atuações não garantem um filme ser bom, e um bom tema muito menos, mas um bom roteiro garante todo o resto.

Talvez você esteja lendo este artigo e não compreende o que é um roteiro. A definição mais simples que posso dar: roteiro é a forma escrita de qualquer espetáculo (teatro, filme, série, desenho, etc.), escrito por um ou vários profissionais que são chamados de roteiristas. Quando você assiste um filme por exemplo, cada cena já foi escrita, cada cenário foi descrito previamente, nada foge do texto prévio (ou pelo menos nada que garanta o desfecho predeterminado pelo roteirista). Em um filme nada é por acaso.

Isso soa muito familiar se você for um calvinista. O intuito aqui se você não for, não é te fazer tornar um, mas pensar um pouco sobre essa analogia que vou te apresentar a seguir. Mas primeiro quero ponderar algo, que são duas verdades absolutas para um cristão, para que ao ler esse artigo você não tire conclusões que eu não quis apresentar. Leia esse texto sabendo que a soberania de Deus e a responsabilidade humana são duas verdades confirmadíssimas nas Escrituras, que na nossa mente limitada é difícil compreender. Mas se você nega um ou as duas, espero que ao final, você as tenha por verdade. Dito isto, vou fazer você pensar um pouco.

Como todo filme a vida terrena tem início, desenvolvimento e fim. Neste cenário você é um dos atores. Cada ator deste filme tem sua história em particular. Aparentemente cada um é o protagonista da própria história. Mas o filme é mais amplo, e todos não passam de coadjuvantes de um filme grandioso que só tem um protagonista.

Temos então tudo que um filme precisa. Temos atores, personagens coadjuvantes e o principal. Temos até algo que podemos chamar de antagonista. Temos cenários com grandes aventuras. Outros nem tão grandes assim, que parecem mais ser cenas de figurantes (mas figurantes também são importantes em um filme, mesmo que você não os perceba). E por fim, temos o roteirista.

O roteirista escreve o filme antes de qualquer cena ser filmada, antes até que qualquer ator apareça. Antes de tudo, está o roteirista. As câmeras só são ligadas quando se tem um roteiro. Ele define até onde cada objeto está em cena. O figurino está lá nas folhas escritas. Características físicas e emocionais de cada personagem também estão. O diretor captura a cena, mas a cena é descrita pelo roteirista (em casos de grandes profissionais alguns roteiristas são também diretores e até mesmo atores de um mesmo filme, e a nossa analogia pode se encaixar nesses casos).

Neste filme já identifiquei você como um dos atores. O roteirista é Deus. Ele tem o domínio da história, pois ele é o autor do roteiro da humanidade.
O planeta que vivemos e todo o universo é obra das mãos do Deus criador. Como eu já disse o roteirista determina até o cenário, e para um filme tão complexo como esse, só um roteiro perfeito para dar conta de encaixar tudo e não deixar nem um furo.

E o que o ator faz nesse filme? Ora, ele faz o que todo ator faz: atua. O ator põe em prática tudo aquilo que foi escrito anteriormente. Bons atores chegam até a improvisar, mas nada foge do desfecho, pois o final já está escrito fechando todas as pontas soltas. O ator tem liberdade, a liberdade de atuar. Liberdade que define quem são os bons e maus atores (apesar que como um bom calvinista na minha perspectiva todos os atores coadjuvantes são ruins, o que salva este filme é o roteiro).

Caminhando para o final deste artigo espero que você compreenda que o final deste filme é perfeito. O protagonista triunfará. O bem vencerá o mal. Talvez você esteja perdido no meio deste filme, mas a cena final, o último ato resolverá todas as questões, não haverá nenhuma dúvida. O roteiro é perfeito. E o roteiro só é perfeito porque o roteirista é perfeito.

Os cristãos já sabem o final deste filme. O spoiler já foi dado. Muitos atores não leram as partes disponíveis com os principais pontos do roteiro, e assim atuam como se a obra fosse sem fim e sem sentido. Mas há um fim e um sentido.

Estude o roteiro. Temos inúmeras versões em nosso idioma. Confie no Roteirista e atue dando o melhor de si.